Cuaderno de pantalla que empezó a finales de marzo del año 2010, para hablar de poesía, y que luego se fue extendiendo a todo tipo de actividades y situaciones o bien conectadas (manuscritos, investigación, métrica, bibliotecas, archivos, autores...) o bien más alejadas (árboles, viajes, gentes...) Y finalmente, a todo, que para eso se crearon estos cuadernos.

Amigos, colegas, lectores con los que comparto el cuaderno

jueves, 19 de agosto de 2010

Por el aire

La Coruña-Madrid. Vuelo a las veinte.
Aeropuerto. Un café solo, dos sesenta y cinco.
Un refresco sin gas, cuatro; parecen
los precios altos. Somos gente rica

que viaja cual sardinas enlatadas
con las rodillas en la frente, mientras
se ocupan de romper nuestras maletas,
que no deben pasar de veinte quilos:

Las maletas abiertas, una dama
se viste 
tres bufandas, dos jerséis,
guarda en el bolso cuatro libros grandes…
para embarcar, en pleno mes de agosto.

No hace falta que corra, porque el vuelo,
se anuncia con dos horas de retraso.






(Aeropuerto de la Coruña, 17 de agosto, 2010)

2 comentarios:

  1. Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 1919-2004)


    BREVE ENCONTRO

    Este é o amor das palavras demoradas
    Moradas habitadas
    Nelas mora
    Em memória e demora
    O nosso breve encontro com a vida.

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    POEMA

    A minha vida é o mar o Abril a rua
    O meu interior é uma atenção voltada para fora
    O meu viver escuta
    A frase que de coisa em coisa silabada
    Grava no espaço e no tempo a sua escrita

    Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
    Sabendo que o real o mostrará

    Não tenho explicações
    Olho e confronto
    E por método é nu meu pensamento

    A terra o sol o vento o mar
    São a minha biografia e são meu rosto

    Por isso não me peçam cartão de identidade
    Pois nenhum outro senão o mundo tenho
    Não me peçam opiniões nem entrevistas
    Não me perguntem datas nem moradas
    De tudo quanto vejo me acrescento

    E a hora da minha morte aflora lentamente
    Cada dia preparada

    In "Geografia"

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    MEDITAÇÃO DO DUQUE DE GANDIA SOBRE A MORTE DE ISABEL DE PORTUGAL

    Nunca mais
    A tua face será pura, limpa e viva
    Nem o teu andar como onda fugitiva
    Se poderá nos passos do tempo tecer.
    E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

    Nunca mais servirei Senhor que possa morrer.
    A luz da tarde mostra-me os destroços
    Do teu ser. Em breve a podridão
    Beberá os teus olhos e os teus ossos
    Tomando a tua mão na sua mão.

    Nunca mais amarei quem possa viver
    Sempre.
    Porque eu amei como se fossem eternos
    A glória, a luz e o brilho do teu ser,
    Amei-te em verdade e transparência
    E nem sequer me resta a tua ausência,
    És um rosto de nojo e negação
    E eu fecho os olhos para não te ver.

    Nunca mais servirei Senhor que possa morrer.

    In “Mar novo”

    [Recuerdando una certa pintura del Prado: http://www.museodelprado.es/coleccion/galeria-on-line/galeria-on-line/obra/conversion-del-duque-de-gandia/]

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  2. Muchas gracias, Sophia... Las indicaciones son preciosas y las iré recogiendo.

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