Cuaderno de pantalla que empezó a finales de marzo del año 2010, para hablar de poesía, y que luego se fue extendiendo a todo tipo de actividades y situaciones o bien conectadas (manuscritos, investigación, métrica, bibliotecas, archivos, autores...) o bien más alejadas (árboles, viajes, gentes...) Y finalmente, a todo, que para eso se crearon estos cuadernos.

Amigos, colegas, lectores con los que comparto el cuaderno

martes, 5 de octubre de 2010

"Inmensas rocas, ruinas incesantes..."





























Inmensas rocas, ruinas incesantes,
el mar por todos lados,  blanco el Etna
con sus nieves al cielo la cima alzada,
dormido, aletargado, el fuego espera.

Naturaleza que venció a la historia,
monumentos vencidos por las guerras,
siglos de viento, de mar, de estaciones
que todo lo devuelven a la tierra.

Y en la calle la gente que construye
como puede el afán de sus existencia,
plazas, calles, basuras, restaurantes
y templos; y en cada rincón, iglesias.

Y así será todo lo que dejemos.
Comeré pronto y dormiré la siesta.











1 comentario:

  1. DOS POEMAS DE JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA (Machico, Ilha da Madeira, 1965- )


    De Profundis


    Faltam aos planos das cidades
    esfinges aladas
    palmas fora de tempo, matagais
    pequenos acrescentos a vermelho

    Faltam atlas com algum detalhe
    para as emissões nocturnas
    nos agudos da nossa incerteza
    falta uma beleza
    a olhar por nós
    indiscernível, entreaberta ainda

    Talvez a nós próprios falte
    essa grande medida
    insondáveis cordas na travessia
    uma juventude que o mundo possa
    documentar

    os teus olhos são o que resta
    dos livros sagrados
    e da grande pintura perdida

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    A casa onde às vezes regresso é tão distante...


    A casa onde às vezes regresso é tão distante
    da que deixei pela manhã
    no mundo
    a água tomou o lugar de tudo
    reúno baldes, estes vasos guardados
    mas chove sem parar há muitos anos

    Durmo no mar, durmo ao lado do meu pai
    uma viagem se deu
    entre as mãos e o furor
    uma viagem se deu: a noite abate-se fechada
    sobre o corpo

    Tivesse ainda tempo e entregava-te
    o coração

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