Cuaderno de pantalla que empezó a finales de marzo del año 2010, para hablar de poesía, y que luego se fue extendiendo a todo tipo de actividades y situaciones o bien conectadas (manuscritos, investigación, métrica, bibliotecas, archivos, autores...) o bien más alejadas (árboles, viajes, gentes...) Y finalmente, a todo, que para eso se crearon estos cuadernos.

Amigos, colegas, lectores con los que comparto el cuaderno

lunes, 21 de febrero de 2011

Luisa de Carvajal, en el convento de la Encarnación



Luisa de Carvajal yace incorrupta
en un cofre aterciopelado, rojo,
entre los relicarios que guardaron
las agustinas de la Encarnación.

Nada ni nadie corrompió su vida
a pesar de los viajes y peligros,
durante sus cuarenta y dos gloriosos
años, muchos en tierra de enemigos.

Con castigos calló las tentaciones,
y abrió sus carnes, y venció al demonio,
y escribió versos místicos de amor,
de amor incorruptible y poderoso.

Cuerpo incorrupto atravesando siglos
en el rincón oscuro del convento.

1 comentario:

  1. BLUES DA MORTE DE AMOR


    já ninguém morre de amor, eu uma vez
    andei lá perto, estive mesmo quase,
    era um tempo de humores bem sacudidos,
    depressões sincopadas, bem graves, minha querida.
    mas afinal não morri, como se vê, ah não
    passava o tempo a ouvir deus e música de jazz,
    emagreci bastante, mas safei-me à justa, oh yes,
    ah, sim, pela noite dentro, minha querida.

    a gente sopra e não atina, há um aperto
    no coração, uma tensão no clarinete e
    tão desgraçado o que senti, mas realmente,
    mas realmente eu nunca tive jeito, ah não,
    eu nunca tive queda para kamikaze,
    é tudo uma questão de swing, de swing minha querida,
    saber sair a tempo, saber sair, é claro, mas saber,
    e eu não me arrependi, minha querida, ah, não, ah, sim.

    há ritmos na rua que vêm de casa em casa,
    ao acender das luzes. uma aqui, outra ali.
    mas pode ser que o vendaval um qualquer dia venha
    no lusco-fusco da canção parar à minha casa,
    o que eu nunca pedi, ah, não, manda calar a gente,
    minha querida, toda a gente do bairro,
    e então murmurarei, a ver fugir a escala
    do clarinete:- morrer ou não morrer, darling, ah, sim.
    do clarinete:- morrer ou não morrer, darling, ah, sim.


    Vasco Graça Moura, in «Sonetos Familiares» (1999)

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